sexta-feira, 16 de maio de 2008

A Formosa Pintura do Mundo

Para poder encontrar-me a mim mesmo, tive primeiro de me perder. Tive de chegar ao pleno vazio de mim. Não foi um vazio imóvel, um compasso de espera na dança do ser: o meu vazio foi um rodopiar imparável de dinâmica negativa, de tal forma que desistir, surgiu, por fim, como premente solução lógica para acabar de vez com o tormento daquele excesso giratório. (...) A tragédia grega ensina que o "amor náo deve atingir a própria medula da alma". Mas na vida de alguns de nós, de preferência uma única e irrepetível vez, a medula da alma é atingida pelo amor. Felizes os que sobrevivem.

In A Formosa Pintura do Mundo, Frederico Lourenço.

Começa hoje. (Ou há muito tempo. Se calhar até desde sempre. Mesmo desconhecendo).
Da mesma forma que pausou o Alma Sentida.
Com A fotografia.
Única e irrepetível.
Não podia ser de outra forma. Porque não há outra forma de amar:
De ouvidos a zunir.
De corações que duplicam de tamanho e não cabem no peito.

O registo manter-se à igual. Perto do que foi e do que será.
E do que está a ser. Muito do que está a ser. E será.
Ideias soltas. Vagabundas.
Ora sem ritmo. Ora dançáveis. Sentidas.
Sempre perto do sangue que acelera em vertigem a um toque.
Abre-se espaço ao branco e abdica-se, por tempo, do preto.
Porque se renova o Ar.
Não se exigem repetições, porque tudo é irrepetível.
Há sempre a velha história de procurar semelhanças. É inevitável. (Para alguns).
Afasto-me dessa confusão. Não entro por aí e não será aí que apareço.
Somos o que somos. Não somos?
É o Admirável Mundo Novo.